Mobilidade urbana da Região Metropolitana de Goiânia é referência para o Brasil

12/02/2026

Uma pesquisa sobre a mobilidade urbana na Região Metropolitana de Goiânia, realizada em 2023, revelou problemas no transporte coletivo por ônibus que levaram o usuário a optar por outros modos de deslocamento, resultando em uma demanda cada vez mais decrescente. Os tópicos críticos listados no diagnóstico foram: superlotação, longa espera nos pontos e viagens desconfortáveis, causados principalmente pelo desequilíbrio entre oferta e demanda; frota, pontos de ônibus e terminais em estados precários, o primeiro devido ao envelhecimento dos veículos, o segundo à falta de manutenção, informação e abrigos, e o terceiro por conta da degradação do Eixo Anhanguera. A insegurança também foi um fator elencado, em razão dos assédios e roubos constantes. O cenário era de urgência, segundo informou Leomar Avelino, diretor executivo da RedeMob Consórcio, grupo de empresas que opera a Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) da Região Metropolitana de Goiânia, que abrange 21 municípios e 2,5 milhões de habitantes, distribuídos em mais de 7.

000 km2. No período entre 2013 e 2023, a velocidade média havia caído 40%, fazendo com que trajetos de ônibus superassem uma hora de duração — um ônibus que antes operava 12 viagens por dia, passou a fazer apenas oito — e a velocidade média dos trajetos em carro ficava abaixo dos 20 km/h. Era fundamental a estruturação de um projeto que pudesse reverter essa situação e atrair novamente os passageiros para o ônibus.

Transporte público: espinha dorsal da mobilidade Em palestra no Fórum de Mobilidade Urbana de Teresópolis, realizado em outubro do ano passado, Avelino revelou detalhes do projeto de transformação da mobilidade urbana da capital de Goiás e cidades vizinhas, executado em 2024 e 2025 e batizado de Nova RMTC, que reúne 299 linhas conectadas e conta com tarifa única e integrada com o Bilhete Único Metropolitano.

A iniciativa estava amparada inicialmente em três pilares: priorização do transporte público, tornando-o a espinha dorsal da locomoção da população; gestão inteligente do tráfego, otimizando o fluxo do trânsito e a segurança viária por meio de soluções inovadoras; e incentivo à mobilidade ativa, através do uso de meios de transporte sustentáveis como bicicletas e caminhadas. Um dos grandes destaques do projeto era a chamada metronização do sistema de ônibus, especialmente nos eixos estruturais, como o BRT Leste-Oeste e o Norte-Sul. Segundo Leomar, a estratégia consiste em dar prioridade absoluta aos ônibus, garantindo menor tempo de viagem, pontualidade e confiabilidade no serviço, além de maior eficiência operacional do transporte público. Na prática, a medida envolve: a desobstrução de mais de 300 km de vias arteriais em 35 corredores estruturais, assegurando maior fluidez e reduzindo em 30% o tempo de viagem; o uso de semáforos inteligentes sincronizados (onda verde); a redução de paradas desnecessárias, permitindo que a velocidade nos horários de pico nos locais implantados passasse de 16 km/h para até 22 km/h; e uma central integrada de trânsito e transporte.

Frota, infraestrutura, segurança e plano operacional Além da metronização, outras medidas indispensáveis foram adotadas para modernizar o transporte. Uma delas foi a renovação da frota, com os novos ônibus equipados com ar-condicionado e divididos entre modelos elétricos e com motor Euro 6. A frota a biometano está sendo implantada. Em janeiro, Goiânia recebeu um total de 21 veículos elétricos, sendo cinco ônibus biarticulados de 28 metros, com capacidade para 250 passageiros, e 16 articulados, com capacidade para 180 passageiros.

Desobstrução das vias arteriais

nova frota já entrou em operação, no BRT Leste-Oeste, que atende cerca de 180 mil passageiros por dia e integra a capital goiana a cidades vizinhas. A infraestrutura também passou por reforma, com a implantação de 3.200 abrigos de ônibus com informações para os passageiros, a reconstrução de seis terminais e a conclusão de 50 novas estações distribuídas entre os BRTs Norte-Sul e Leste-Oeste, além da requalificação urbanística em desenvolvimento no entorno dos corredores e da implantação de faixas preferenciais nas vias arteriais. O sistema de segurança ganhou mais de três mil câmeras e tecnologia de reconhecimento facial.

Além disso, foi desenhado um novo plano operacional, com revisão da rede de linhas, quadro de horários e dimensionamento das viagens, entre outras medidas. A partir de 2025, a evolução passou a ser também no fortalecimento do projeto, através do Programa Nova Mobilidade. Para isso, os três pilares iniciais foram completados, sendo agora: integração Nova RMTC, com a gestão de trânsito e a priorização dos ônibus; gestão inteligente do trânsito a partir da modernização semafórica, da desobstrução das vias e da metronização; e estímulo à mobilidade ativa, com a implantação em curso de compartilhamento de bicicletas.

Todo esse avanço foi sustentado por um novo modelo de governança interfederativa, onde as responsabilidades e os subsídios tarifários são compartilhados entre o estado de Goiás e a capital, cada um assumindo 41,2%, e quatro municípios vizinhos (Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade e Goianira), que pagam 17,6%. Além disso, a segurança jurídica é garantida pela manutenção do equilíbrio financeiro dos contratos e pela renovação do prazo das concessões. O resultado esperado — a recuperação de 100% da demanda pré-pandemia — foi plenamente alcançado, com maior atratividade do transporte público, melhor fluidez e maior eficiência. Segundo o diretor da RedeMob Consórcio, através de políticas públicas transformadoras, o que se construiu foi e continua evoluindo para uma mobilidade sustentável com cidades centradas nas pessoas.

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